A Freguesia de Oliveirinha, geograficamente situada no centro da área Sul do Concelho de Aveiro, dista
desta cidade 6 Km e tem a área de 14 Km
2, quase totalmente planos.
Habitada desde o século XV, foram estas férteis terras propriedade de várias casas, ordens, conventos
e famílias nobres do Reino (de Leão desde a pré-nacionalidade) até ao referido século XV.
Nesta altura, por determinação do Rei D. João II, são as terras de Oliveirinha (entre outras) doadas
Princesa Santa Joana
a sua irmã,
Princesa Santa Joana, no ano de 1485 que, em 1488 as aforou a um seu
protegido de nome
Jorge Silva. Este juntamente com sua mulher Isabel Soares, são
então os primeiros habitantes conhecidos de Oliveirinha e fundadores do
Morgadio de Oliveirinha.
Esta família esteve na posse de grande parte das terras até ao século XVIII.
Casa do Morgadio
Nos séculos XVI e XVII, houve uma explosão de povoamento e desenvolvimento agrícola, tendo as terras
em grande parte sido subaforadas e muitas vendidas.
A sexta possuidora da família Silva, casada, sem filhos, faleceu, pelo que o marido Bento de Almeida
Cabral, filho de Luíz Cardoso Matoso, casou 2ª vez, tendo nascido um filho deste casamento -
Romualdo Matoso herdeiro do Morgadio de Oliveirinha, herdando assim não só os bens,
vindos dos Silva, mas também quintas do Rabaçal e Espinhal.
Romualdo foi cavaleiro da ordem de Cristo e membro do Santo Ofício, tendo sido o
primeiro a assinar pedindo a aprovação dos estatutos da Irmandade da Srª. dos Remédios, em 1753, e,
ainda hoje existente.
Em 1826
D. Maria Augusta de Menezes Silveira, única herdeira do Morgadio, bisneta
de D. Romualdo, casa com
D. Joaquim Francisco de Castro Pereira Corte-Real, nobre
da casa de Fijó de Vila da Feira, sendo desta data o brasão da casa do Morgadio de Oliveirinha (estilo
neo-clássico rural) antecedido pelo brasão da casa da Granja dos primeiros habitantes já referidos, da
freguesia - os Silva.
Em 1846, um decreto Régio, vem abolir a obrigação do pagamento dos foros.
Entretanto é iniciado o desmembramento da então freguesia de Eixo à qual as terras de Oliveirinha,
Moita, Granja, Valade e Quintãs, estavam ligadas que, culminou com a
criação desta freguesia
por Decreto da Rainha D. Maria II, em 2 de maio de 1849.
É por esta altura (1860 e 1863) que são publicadas leis, acabando com os Morgadios existentes no Reino,
pelo que
D. Francisco Joaquim de Castro Pereira Corte-Real, foi o último titular do
Morgadio. Foi então Presidente da Câmara Municipal de Aveiro em 1857 e 1858.
Do casamento de D. Maria Augusta com D. Francisco Joaquim, nasceram seis filhos, de onde se destacam
três:
Augusto Maria de Castro: licenciado em direito e Juiz do Supremo Tribunal, que por
sua vez teve dois filhos, tendo um deles, Dr. Augusto de Castro, sido embaixador de Portugal em
Londres e no Vaticano.
José Luciano de Castro
José Luciano de Castro: licenciado em direito, Juiz do Supremo Tribunal Administrativo,
Jornalista, Lider do Partido Progressista, Deputado e Ministro da Justiça em 1869 e Presidente do
Conselho de Ministros em 1886, sendo Rei D. Carlos I. Faleceu em 1914.
Francisco de Castro Matoso da Silva Corte-Real: também licenciado em direito, foi
deputado por Aveiro em 1884 e por Coimbra 1887, par do Reino em 1898, Presidente do tribunal da
Relação de Lisboa em 1900 e Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça em 1901. Presidente
da Comissão para a criação do Hospital de Aveiro e seu grande impulsionador e primeiro contribuinte.
Ministro das Obras Públicas, a ele se devem a construção da Ponte sobre o Vouga em S. João de Loure
e a estação do Caminho de Ferro de Quintãs, entre outras, homem sensível aos problemas do mundo rural,
a quem os agricultores muito devem na liberalização do uso e posse da terra. Faleceu em 1905.
Aqui nasceu também
Tomé de Barros Queirós: que foi, Vereador da Câmara de Lisboa,
Presidente do Conselho Disciplinar do Ministério das Finanças, Secretário Geral do mesmo Ministério,
Director Geral da Fazenda Pública, Deputado, Vice Presidente da Câmara de Deputados e Ministro das
Finanças em 1915. Faleceu em 1926.
Mais recentemente aqui nasceu,
Arnaldo de Almeida Vidal, que foi homem reconhecido
pelo seu espírito esclarecido e consciência recta, como Magistrado, Juiz Conselheiro do Supremo
Tribunal de Justiça e seu Vice-Presidente.
Na actualidade, outros naturais desta freguesia, se salientam nos mais diversos meios da vida Nacional,
nomeadamente: na Medicina, Finanças, Ensino, Indústria, Comércio, Administração, sendo dos melhores,
entre os melhores, mantendo assim bem alto o prestígio desta Freguesia de que nos orgulhamos.
COSTUMES
O "Cântico das Almas Santas" em que um grupo de pessoas, percorre a freguesia cantando em tom de
lamento, recolhendo contributos, para mandar celebrar missas pela alma dos falecidos. Este cântico
acontece por altura dos fiéis defuntos.
Cântico das Almas Santas
Baile das comadres e compadres: Acontece todos os anos na semana que antecede o dia
de Carnaval e, consiste, em, através de sorteio, juntar os jovens solteiros com mais de 15 anos de
idade, em casais que no ano seguinte serão comadres e compadres, oferecendo elas na quarta-feira de
cinzas, uma lembrança ao seu compadre que, por sua vez, retribuirá no dia de Páscoa.
FESTAS E ROMARIAS
Realizam-se oito festas anuais de carácter religioso, nos diversos lugares da freguesia e ainda a
festa anual dos emigrantes, organizada pela Junta de Freguesia coincidente, com a feira dos 7 de Agosto.
LENDAS
É referida a lenda dos Frades Franciscanos, que teriam simulado um incêndio, no seu convento que se
teria situado no Picoto, para desse modo afuguentarem os piratas que tendo subido o rio Vouga e
penetrado na zona lagunar do Picoto, se preparavam para saquear o convento. Não o fizeram com receio
de que acorressem em socorrer dos frades, no incêndio.
Lenda da Srª. da Guia: Diz-se ter um jovem casal ao atravessar durante a noite a
Fonte da Srª. da Guia
zona baixa das terras da Granja, onde no inverno correm velozes as águas das chuvas, na eminência
de serem arrastados pelas águas e na esperança que da noite saísse uma luz que os guiasse, gritaram
Nossa Senhora nos guie. Surgiu então uma luz que os guiou até à margem, salvando-os.
Em consequência foi construida a Capela da Srª. da Guia, no século XVIII ainda hoje existente, embora
remodelada e onde é venerada aquela Santa. Junto existe a conhecida fonte da Srª. da Guia, onde
milhares de pessoas, da região e da cidade, vão na actualidade buscar a excelente água, que ali brota.
Esta é a imagem histórica, resumida, caracterizando a nossa freguesia, de gente ordeira e trabalhadora,
na sua evolução histórica.